top of page

Farmacogenômica: seu DNA influencia como seu medicamento age

  • Foto do escritor: Dr. Albert Mojzeszowicz
    Dr. Albert Mojzeszowicz
  • 26 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de mai.


Autor: Dr. Albert Felipe Mojzeszowicz  Psiquiatra │ CRM-SP 175671 │ RQE 87037  Atualizado em: Abril de 2026


A escolha do antidepressivo deixa de ser tentativa-e-erro quando o perfil farmacogenético orienta a prescrição.
A escolha do antidepressivo deixa de ser tentativa-e-erro quando o perfil farmacogenético orienta a prescrição.

O que é farmacogenômica?  Farmacogenômica é o estudo de como variações no DNA de uma pessoa afetam a forma como ela metaboliza medicamentos. Na psiquiatria, isso significa que dois pacientes com o mesmo diagnóstico, recebendo a mesma dose do mesmo remédio, podem ter respostas radicalmente diferentes — e parte da explicação pode estar nos genes.

 

A pergunta que muda tudo: como o DNA afeta o medicamento escolhido


Imagine dois pacientes. Ambos têm diagnóstico de depressão maior. Ambos começam tratamento com escitalopram 10 mg por dia. Após seis semanas, um está em remissão; o outro ainda não sentiu efeito algum — e está desenvolvendo efeitos adversos intensos. O médico aumenta a dose, o resultado piora.

O que está acontecendo? Possivelmente uma diferença silenciosa na sequência de DNA desses dois pacientes.


Como o corpo processa um remédio?

Quando você toma um comprimido, ele não age diretamente no cérebro. Precisa ser absorvido, circular pelo sangue, entrar nas células, e — em algum momento — ser quebrado e eliminado pelo organismo. O organismo se livra dos remédios através do fígado, por enzimas da família do citocromo P450 (CYP2D6, CYP3A4, CYP2C19, dentre outras).


 

Estrutura molecular de uma enzima do citicromo P450 com duas moléculas (sinalizadas em rosa e laranja) ocupando seus sítios de ligação
As enzimas CYP450 são proteínas hepáticas que metabolizam a maioria dos psicofármacos. Na imagem acima, representação da enzima P450 (o “esqueleto”) interagindo com moléculas diferentes, por exemplo uma toxina e uma vitamina (bolinhas roxas e laranjas). Por JMTomson [Public domain], via Wikimedia Commons.

As enzimas CYP são proteínas codificadas por genes. E como qualquer gene, elas têm polimorfismos — pequenas diferenças na sequência de DNA que fazem a proteína funcionar com velocidades diferentes. Algumas variantes produzem enzimas mais lentas; outras, mais rápidas; algumas variantes simplesmente não produzem enzima funcional nenhuma.


Atenção clínica


A farmacogenômica NÃO SUBSTITUI a avaliação clínica. A maioria das interações gene-medicamento não produz diferença clínica significativa — assim como a maioria das interações medicamentosas também não. A arte está em saber quando o resultado genético realmente muda a conduta.


Terminologia essencial

Metabolizador lento: enzima com função reduzida ou ausente. O medicamento se acumula no sangue → toxicidade, efeitos adversos intensos. 

Metabolizador rápido: enzima superativa. O medicamento é eliminado antes de agir → ausência de efeito terapêutico.

Metabolizador normal (extensive metabolizer): função enzimática esperada para a população geral.

 

Por que farmacogenômica importa mais em psiquiatria?


Na maioria das especialidades médicas, se um tratamento não está funcionando, o médico pode pedir mais exames para tentar descobrir a causa. Na psiquiatria, são raros os diagnósticos que podem ser feitos com um exame laboratorial. A dosagem sanguínea do nível do remédio pode ser usada como proxy de atividade enzimática mas não prevê resposta clínica.

Isso torna a farmacogenômica particularmente útil para nós: ela oferece uma janela previsível — antes de prescrever ou diante de efeitos adversos inesperados — para entender por que um paciente específico está respondendo de forma atípica.

Atenção clínica

A farmacogenômica NÃO SUBSTITUI a avaliação clínica. A maioria das interações gene-medicamento não produz diferença clínica significativa — assim como a maioria das interações medicamentosas também não. A arte está em saber quando o resultado genético realmente muda a conduta.

Laudo farmacogenômico com colunas gene, variante e fenótipo ao lado de receituário médico e caneta-tinteiro.
O laudo farmacogenômico traduz variantes gênicas em fenótipos clinicamente acionáveis: metabolizador lento, normal, rápido ou ultrarrápido.

 

O que muda na prática?

Grupos como o Clinical Pharmacogenetics Implementation Consortium (CPIC) e a FDA mantêm listas atualizadas de interações gene-medicamento com evidência clínica suficiente para influenciar a prescrição. Na psiquiatria, três enzimas cobrem a maior parte das situações relevantes: CYP2D6, CYP3A4 e CYP2C19. Há também um gene farmacogenômico não-enzimático com importância crítica: o HLA-B*1502, ligado a reações alérgicas graves à carbamazepina.

Nos próximos artigos, exploramos cada um desses genes em detalhe — o que eles fazem, quais medicamentos afetam, e quando o psiquiatra deve pedir o teste.

 

Outras categorias relacionadas: Uso racional de medicamentos psiquiátricos (categoria: Medicamentos)

 

 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Logo do Dr. Albert

Telefone

Fale comigo

Blog

Responsável técnico

Dr. Albert Mojzeszowicz CREMESP 175671 RQE 87037

  • Instagram
  • LinkedIn
  • TikTok

2026 Dr. Albert Felipe Mojzeszowicz - todos os direitos reservados

bottom of page