top of page

Psiquiatria de precisão

A justificativa da psiquiatria de precisão

Muitos pacientes chegam a mim depois de tentativas frustradas: medicamento que não funcionou, efeito colateral intolerável e a sensação de que "meu caso não tem jeito". Esse padrão pode não ser diagnóstico errado mas uma característica do metabolismo individual.

 

O sistema diagnóstico atual funciona por categorias — depressão, ansiedade, bipolar — e essas categorias direcionam a escolha do medicamento com razoável nível de evidência científica. Mas a eficácia e a tolerabilidade de cada fármaco dependem também de como o seu organismo o metaboliza, e isso é determinado por variantes no seu DNA — não pelo diagnóstico. Dois pacientes com o mesmo quadro clínico podem ter respostas completamente opostas ao mesmo antidepressivo.

Infográfico adaptado de Kas et al. (2025) ilustrando o refinamento diagnóstico longitudinal em psiquiatria de precisão: grupos de pacientes inicialmente classificados por categorias do DSM se subdividem progressivamente em perfis individuais distintos, à medida que dados clínicos, genômicos e neurobiológicos são integrados ao longo do tempo.

VEJA ONDE AJUDA E QUAIS SÃO AS LIMITAÇÕES DA TESTAGEM

Por que o mesmo remédio funciona diferente em cada pessoa?

A pergunta é simples. Vou tentar responder: pessoas diagnosticadas com o mesmo transtorno psiquiátrico podem ser bem diferentes umas das outras, por dois motivos principais: em primeiro lugar, os critérios diagnósticos e intensidade dos sintomas variam, mas isso não é o principal.

​

Em segundo lugar, a exposição ambiental, as condições sócioculturais, o tipo de personalidade, e — na camada mais molecular — variantes no DNA concorrem para definir como cada organismo processa uma substância química. Dois pacientes com depressão maior podem compartilhar exatamente os mesmos critérios diagnósticos e ter metabolismos completamente diferentes para o mesmo antidepressivo. Um elimina o fármaco rápido demais, sem tempo para efeito terapêutico. O outro o acumula, e desenvolve efeitos adversos intensos em doses que seriam padrão para a maioria.

​

Mas conhecer o perfil genético de metabolismo não é, sozinho, suficiente para escolher o tratamento certo. A farmacogenética é a última camada de um processo clínico e não deve ser usada como atalho para "resolver logo". Se a sua expectativa é fazer o exame para não "precisar ficar conversando", então pode não ficar satisfeito com a minha insistência em conversar até conseguir entender alguns comportamentos.​

​

Antes de qualquer consideração genômica, existe uma entrevista estruturada que delimita o curso da doença, as tentativas anteriores, o funcionamento global. Existem dimensões psicológicas — padrões relacionais, mecanismos de defesa, estrutura de caráter — que afetam tanto a apresentação clínica quanto a condução do caso no futuro.

 

Existem expectativas distorcidas sobre o que um medicamento faz: a crença de que ele deve restaurar um desempenho que nunca foi sustentável, ou que deve eliminar o sofrimento que é inerente a determinadas circunstâncias de vida. Essas expectativas, quando não trabalhadas, explicam mais abandonos de tratamento do que qualquer incompatibilidade enzimática.

​

A psiquiatria de precisão é uma ferramenta que pode ser mais ou menos útil no processo de recuperação da saúde mental. Para a maior parte das pessoas, a testagem genética não vale a pena.​

Tabel custo benef

O que a farmacogenética não responde — e por quê isso importa

​​Parte do entusiasmo em torno da testagem farmacogenética excede o que os dados atualmente suportam — e transparência sobre esse ponto é, em si, parte do cuidado. ​Algumas distinções que valem a leitura:

​

O teste mapeia metabolismo, não etiologia. Saber que você é metabolizador rápido do CYP2D6 diz algo sobre como seu fígado processa um antidepressivo mas não diz porquê você tem depressão. Pode dizer qual remédio não usar mas nada garante que o remédio "mais indicado" vai funcionar. A arquitetura genética dos transtornos mentais é poligênica, de efeitos individuais pequenos, e até hoje nenhuma variante isolada tem valor preditivo individual robusto o suficiente para orientar diagnóstico.

​

Há dimensões biológicas que o teste padrão não captura. Vias inflamatórias, o eixo intestino-cérebro, o papel do microbioma na biodisponibilidade de psicofármacos ou a própria natureza heterogênea na apresentação dos mesmos transtornos — tudo isso influencia resposta ao tratamento e nenhum painel de farmacogenética convencional os mensura. 

​

Um mesmo diagnóstico abriga fenótipos distintos. "Depressão maior" é uma categoria administrativa útil para comunicação clínica — mas dentro dela coexistem pacientes com inflamação elevada, pacientes com desregulação do eixo HPA, pacientes com padrão predominantemente anedônico e pacientes com componente ansioso proeminente. A testagem genética não resolve essa heterogeneidade; apenas refina as escolhas.

​

O que a farmacogenética oferece é a informação sobre o nível de atividade das enzimas hepáticas de metabolismo de drogas. 

Se você quiser se aprofundar na farmacogenética, pode ler artigos que postei no meu blog: 

Logo do Dr. Albert

Telefone

Fale comigo

Blog

Responsável técnico

Dr. Albert Mojzeszowicz CREMESP 175671 RQE 87037

  • Instagram
  • LinkedIn
  • TikTok

2026 Dr. Albert Felipe Mojzeszowicz - todos os direitos reservados

bottom of page