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Síndrome do pânico: o que acontece no seu cérebro durante um ataque

  • Foto do escritor: Dr. Albert Mojzeszowicz
    Dr. Albert Mojzeszowicz
  • 8 de mar.
  • 3 min de leitura

Foto do Dr. Albert com uma camisa branca contra um fundo verde

Autor: Dr. Albert Felipe Mojzeszowicz

Psiquiatra | CRM-SP 175671 | RQE 87037

Atualizado em: Março de 2026

O que é síndrome do pânico?

O transtorno de pânico, mais conhecido como síndrome do pânico, é caracterizado por ataques recorrentes e inesperados de medo intenso, acompanhados de sintomas físicos agudos. Após os ataques, o paciente desenvolve preocupação persistente sobre novos episódios ou muda significativamente seu comportamento para evitá-los.


O ataque de pânico: uma tempestade fisiológica

Imagine acordar no meio da noite com o coração disparado, sensação de sufocamento, dormência nas mãos, e a convicção de que você está morrendo ou enlouquecendo. Isso é um ataque de pânico. A experiência é convincentemente aterrorizante, mesmo que nenhuma ameaça real esteja presente.

 

Presume-se que Edvard Münch sofresse de Transtorno de pânico e tenha pintado sua famosa obra “O Grito” para ilustrar objetivamente o que sentia subjetivamente:

Famoso óleo de Edvard Munch chamado "O Grito"

Edvard Munch - National Museum of Art, Architecture and Design, Public Domain.

 

Neurologicamente, o que ocorre é uma ativação intensa e abrupta do circuito do medo, centrado na amígdala cerebral. A amígdala dispara um alarme que mobiliza o hipotálamo, que por sua vez ativa o sistema nervoso simpático e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. O resultado é uma enxurrada de adrenalina e cortisol, com efeitos fisiológicos imediatos: taquicardia, hiperventilação, vasoconstricção periférica, liberação de glicose, entre outros.


Por que o cérebro dispara sem ameaça real?

Essa é a questão central e, em certa medida, ainda parcialmente sem resposta definitiva. Sabe-se que, no transtorno de pânico, o circuito de detecção de ameaças funciona com sensibilidade excessiva — os chamados "alarmes falsos". Estímulos internos como taquicardia leve, tontura ou variações respiratórias são interpretados pela amígdala como sinais de perigo iminente, o que desencadeia o ataque.


Esse mecanismo explica um fenômeno clínico importante: a interoceptividade amplificada. Pacientes com transtorno de pânico desenvolvem uma atenção exacerbada às sensações corporais. Uma aceleração cardíaca após subir escadas pode se tornar o gatilho para um novo ataque — não porque o coração esteja doente, mas porque o sistema de alarme está calibrado de forma errada.


Critérios diagnósticos: além do ataque isolado

Um erro comum é deixar de distinguir o ataque de pânico isolado do transtorno de pânico. Ataques de pânico podem ocorrer em qualquer transtorno de ansiedade, em situações de estresse intenso ou mesmo sem qualquer patologia subjacente. O que define o transtorno de pânico, segundo o DSM-5, é: (1) ataques recorrentes e inesperados; (2) pelo menos um mês de preocupação persistente sobre novos ataques ou mudanças comportamentais significativas por medo de um novo ataque – geralmente lugares fechados, grandes aglomerações ou situações sem um rota de fuga óbvia.


Essa "ansiedade antecipatória" (o medo do medo) é muitas vezes mais incapacitante do que o ataque em si. Ela restringe progressivamente a vida do paciente.


A relação com a agorafobia

O transtorno de pânico frequentemente coexiste com agorafobia — o medo de situações das quais seria difícil escapar ou obter ajuda em caso de ataque. Transportes públicos, shoppings, elevadores, ambientes fechados, filas, pontes: esses se tornam territórios a evitar. No limite, a pessoa pode se tornar incapaz de sair de casa sozinha.


A agorafobia não é um traço de personalidade nem frescura — é uma consequência lógica de um sistema nervoso que aprendeu a associar certos ambientes com a experiência aterrorizante do pânico.


Como tratar o transtorno de pânico?

O transtorno de pânico tem excelente resposta ao tratamento. A TCC é a abordagem psicoterápica mais usada, ao lado de técnicas de respiração e atenção plena.


No campo farmacológico, temos os ISRSs e IRSNs como agentes de primeira linha para tratamento de manutenção. Os benzodiazepínicos podem ser empregados a curto prazo para controle de crises agudas, mas não são indicados como tratamento de base pelo risco de dependência e pela possibilidade de reforçar a evitação.


Referências

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5). 5. ed. Arlington: APA, 2013.

Kaplan, H.I.; Sadock, B.J. Compêndio de Psiquiatria. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

Craske, M.G.; Stein, M.B. Anxiety. The Lancet, 2016.


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