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Ansiedade generalizada: sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Foto do escritor: Dr. Albert Mojzeszowicz
    Dr. Albert Mojzeszowicz
  • 8 de mar.
  • 3 min de leitura

Foto do Dr. Albert com uma camisa branca contra um fundo verde

Autor: Dr. Albert Felipe Mojzeszowicz

Psiquiatra | CRM-SP 175671 | RQE 87037

Atualizado em: Março de 2026

O que é transtorno de ansiedade generalizada (TAG)?

O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é caracterizado por preocupação excessiva, persistente e de difícil controle sobre múltiplos temas do cotidiano — saúde, finanças, trabalho, família. Os sintomas devem estar presentes na maioria dos dias por pelo menos seis meses e causar prejuízo funcional significativo.


Uma preocupação que não para

Quem vive com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) não consegue identificar um único gatilho para sua apreensão — porque ela não tem um. A preocupação migra de tema em tema: a saúde de um familiar hoje, um prazo no trabalho amanhã, as finanças na semana seguinte. Quando um problema se resolve, outro imediatamente ocupa seu lugar. É como se o motor da antecipação estivesse sempre ligado, sem freio.


Essa generalização da preocupação por múltiplos domínios da vida é a característica que nomeia o transtorno e o distingue, por exemplo, de uma fobia específica ou da ansiedade social, que têm objetos mais delimitados.


Quais são os sintomas do TAG?

Além da preocupação excessiva e de difícil controle, o DSM-5 exige a presença de pelo menos três dos seguintes sintomas (em adultos): inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele; cansaço; dificuldade de concentração; irritabilidade; tensão muscular; sono perturbado. Em crianças, basta um sintoma associado.


É importante notar que muitos desses sintomas têm expressão física. A tensão muscular pode se manifestar como cefaleia tensional, dor no pescoço ou nas costas. Os distúrbios do sono, queixas extremamente comuns em pacientes com TAG, muitas vezes são tratados isoladamente antes que o diagnóstico correto seja estabelecido.


Como o TAG é diagnosticado?

O diagnóstico é clínico, baseado em entrevista psiquiátrica estruturada. A escala GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item scale) é uma ferramenta de rastreio amplamente validada — mas rastreio não é diagnóstico. Um escore elevado na GAD-7 indica que uma avaliação mais aprofundada é necessária, não que o transtorno está confirmado.


É igualmente necessário afastar causas médicas que possam simular ou agravar o quadro: hipertireoidismo, feocromocitoma, arritmias cardíacas, uso de substâncias estimulantes (cafeína em excesso, estimulantes, descongestionantes) e efeito de alguns medicamentos. No TAG, comorbidades psiquiátricas são mais a regra do que a exceção e também devem ser investigadas já na primeira entrevista.

Qual é o tratamento para ansiedade generalizada?

O TAG responde bem ao tratamento. A abordagem de primeira linha na maioria das diretrizes internacionais combina psicoterapia e farmacoterapia.


No campo farmacológico, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) são os agentes de primeira escolha para tratamento de longo prazo. A buspirona, um agonista parcial de receptor de serotonina, também podem ser usada com diferentes taxas de sucesso. Já pregabalina, um bloqueador de canais de cálcio, não é considerada primeira linha para TAG e não é aprovada pelo FDA para esse fim mas pode ser usada em associação aos antidepressivos, como adjuvante. O uso de benzodiazepínicos pode ser considerado em situações específicas e por períodos limitados, dado seu perfil de efeitos adversos.


TAG e qualidade de vida

O impacto do TAG na qualidade de vida é muitas vezes subestimado. A preocupação crônica consome energia cognitiva, prejudica o sono, interfere nas relações interpessoais e pode levar ao esgotamento. Dados epidemiológicos indicam que o TAG é um dos transtornos de ansiedade mais prevalentes na população adulta e está associado a altos índices de comorbidade com depressão maior.


O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem diferença concreta. Não se trata de eliminar a preocupação, mas de devolver a ela proporção e mobilidade.

Referências

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5). 5. ed. Arlington: APA, 2013.

Kaplan, H.I.; Sadock, B.J. Compêndio de Psiquiatria. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

Bandelow, B.; Michaelis, S. Epidemiology of anxiety disorders in the 21st century. Dialogues in Clinical Neuroscience, 2015.

Spitzer, R.L. et al. A brief measure for assessing generalized anxiety disorder (GAD-7). Archives of Internal Medicine, 2006.


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